Na Balada

Nesse tema serie bem direta.

Eita que pedir para a minha mãe deixar eu ir para a balada seria o mesmo que dizer:  “Mãe, quero sair para beijar a boca de todos os caras que eu encontrar. Quero beber todas, ficar louca até vomitar, transar e chegar em casa pela madrugada e depois de sete dias descobrir que estou grávida e sem fazer ideia de quem é o pai”.

Exagero? Pode ser,mas essa era a minha realidade. Tudo bem, foi uma fase comum. Não deve ser fácil para os pais enfrentarem essa fase de filhos adolescentes, mas de qualquer forma não sentia falta de balada, até porque não fazia parte da minha vida mesmo.

Filha mais velha, quinze anos, escola, treino de futebol, organização de casa, cuidar dos irmão, enfim, não tinha muito tempo para pensar em balada. Na verdade tinha medo.

Acredito que todos temos um alguém que nos tiram do papel de “bom moço” e, destrancam a porta liberando o nosso outro lado. O lado que não costumamos mostrar aos nossos pais. Pois é, em minha humilde vida, essa pessoa é minha prima Pamela

Janeiro de 2006, não sabia  o que iria encontrar, mas me joguei. Fui passar uma semana no litoral na casa da minha tia. Foi realmente um milagre, pois minha mãe temia ao imaginar o que poderia acontecer no resultado da soma de F + P e mesmo assim confiou em mim.

Ingressos: ok

Roupa: ok

Babá para a irmã mais nova: ok

Amigas: ok

Bebida: ok

Dinheiro das passagens de ônibus: Gastamos com bebidas.

Só para deixar bem claro, minha mãe não me deixava ir numa balada, logo bebidas nem pensar, sendo assim, contarei minha primeira vez na balada e minha primeira vez no porre de álcool. Vinho, para ser mais específica.

Enfim, como gastamos todo o dinheiro, tivemos que ir a pé para o clube. No percurso fomos bebendo tudo e realmente não prestou, pois a Pamela pode ter um metro e cinquenta de altura, mas o que não tem de tamanho ela tem de  confusão. Pois é, muito chapada ela conseguiu arrumar briga com um grupo de garotas que tinha como destino o mesmo lugar que nós.

Foram quatro rounds.

Hoje rimos de tudo e ela até me chama de covarde por não ter ajudado na pancadaria, mas a verdade é que haviam umas quinze garotas para puxar o cabelo dela e, se eu entrasse só seria mais uma, então corri e chamei os seguranças. Foi a coisa mais sensata a fazer.

No ultimo roud todo mundo na pista começou a ir pra frente sendo empurrados. Quando olhei pra trás pra ver o que estava acontecendo, adivinhem, mais uma vez a Pamela em confusão, porém dessa vez ela estava por cima. Na verdade ela estava mordendo o seio esquerdo de uma garota. Deve ter doído pra caramba.

Uma das noites mais incríveis que já tive. Primeiro porre, primeira dor de cabeça, primeira balada, primeira vez com dores nos pés de tanto andar e dançar, primeiro contato com desconhecidos e pela primeira vez eu vi o sol nascer. Não! E não foi da janela de casa, mas sim do banquinho de frente ao clube. Foi lindo, estávamos de frente ao mar. Foi mágico, tirando a dor de cabeça, a preocupação com uma colega que havia sumido e a falta de energia para voltarmos andando para casa. Valeu!

É claro que não irei detalhar muitas coisas daquela noite, pois aprendi que “o que acontece na balada, fica na balada e o que acontece no percurso também”.

Minha mãe não soube da aventura que tive com minha prima. Só contei quando completei meus vinte anos e numa conversa descontraída que estávamos tendo. Vi nos olhos dela que decepção, não por eu ter ido escondido, mas por não ter dividido com ela o que eu sentia.

Muita coisa aconteceu aquela noite e não me orgulho de algumas delas, mas eu precisava viver essa experiência para poder dizer pra mim mesma o que é certo e o que é errado. Mamãe sempre me disse “faça isso, não faça aquilo”, mas nunca me disse os porquês de tudo e, eu precisava saber, precisava viver, sentir e então decidir. Não estou dizendo que devemos desobedecer nossos pais, até mesmo porque descobri que eles tinham razão em tudo.

Sobre o exagero da minha mãe, na verdade nunca tínhamos parado para conversar sobre balada. Tirei deduções sobre o que ela falava das outras jovens e por esse motivo nunca nem pedi. É! A falta de comunicação cria barreiras até mesmo entre pessoas tão próximas.

Acho que aprendi algumas coisas na minha primeira vez e algumas delas são:

  • Nem todos que vão numa balada vão no intuito de beijar na boca, ou não de todas as bocas que encontra;
  • Nem todos bebem para ficar loucos até vomitar e
  • São poucos os que só querem transar.

A minha primeira vez, e tinha que ter sido assim.

Anúncios

4 comentários sobre “Na Balada

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s