Sinto fome

Sinto fome,

Fome não sei do que, mas sinto.

-Preciso de ar.

Não basta respirar, necessito sentir,
Sentir a pureza que me limpa por dentro.
Dentro de mim, hoje está vazio,
Vazio de riquezas e crenças no futuro.

Admiro o passado,
O passado que lá deixei,
Deixei para poder viver.
Ilusão!

Vivi o passado que lá contei,
A água cristalina que descia entre as pedras que enfeitavam as montanhas e o belo contraste do verde da mata e gramado.

A poeira vermelha em sinal de vida que por ali passava.
Os pés descalços correndo pra todos os cantos onde havia infância.
Brincadeiras inocentes,
Sorrisos e gargalhadas verdadeiras,
O leiteiro passando logo quando o sol raiava.

Pessoas simples e ricas,
Riqueza lá tinha outro nome: Vida!
Vida, bela vida vivia vivendo a vida bela dentre a bondade do senhor nosso pai.
Como diria um antigo sertanejo:  “Estrada que era vermelha de terra que o progresso trouxe o asfalto e cobriu”.

Acrescento: O progresso trouxe a ganância e faliu!

Faliu o povo humilde e inocente,
Pessoas lindas e descentes.
Hoje temos pessoas extintas da sociedade moderna.
Famílias feridas nessa era,
A era do “eu” e mais ninguém,
A era onde sou melhor que você,
A era da liberdade oprimida,
A era da vida sem vida.
Sinto fome!
Meu corpo sente fome!
Corpo que se move para cumprir o ciclo.
Sinto fome!
De pessoas honestas,
De crianças com infância e
De almoços aos domingos com a família.
Quando se tem fome,
Se tem saudade!
Quando a alma tem fome,
É quando a realidade dói!

 

Francielle Cordeiro

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4 comentários sobre “Sinto fome

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